O sangramento do intestino médio, também definido como sangramento de origem obscura – oculto ou visível, é responsável por cerca de 5 a 10% de todas as causas de sangramento digestivo. Embora pouco frequente, possui elevada morbimortalidade. Sua origem está localizada no intestino delgado, localizado entre a papila de Vater e a válvula ileocecal.
São sangramentos recorrentes, de difícil diagnóstico ou se manifestam através de anemias não esclarecidas, com necessidade de múltiplas transfusões até o diagnóstico definitivo e tratamento adequado para a doença.
Podem ocorrer tanto em idosos, quanto em adultos jovens. Nos idosos as causas mais frequentes são as angioectasias (neoformações vasculares), lesões por antiinflamatórios ou aspirina. Nos jovens, as principais causas são os tumores – adenocarcinomas, tumores estromais, linfomas e tumores metastáticos. Existem algumas síndromes hereditárias como Síndrome de Peutz Jeghers, Polipose Familiar e Síndrome de Osler-Weber-Rendu, que também podem apresentar sangramento.
Vários métodos diagnósticos que podem ser utilizados para a localização do sangramento como cintilografia com hemácias marcadas, angiotomografia, cápsula endoscópica, entretanto; esses métodos não permitem o diagnóstico preciso, a biópsia das lesões, caso ocorram e o tratamento endoscópico, nos casos indicados. A cápsula endoscópica, embora seja um método não invasivo, é impreciso na localização das lesões, permitindo perda das lesões e resultados falso-positivos ou falso-negativos.
O método considerado “padrão ouro”, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento das lesões passíveis de tratamento endoscópico é a videoenteroscopia assistida com balão.
A Videoenteroscopia assistida por balão possibilita o diagnóstico das lesões benignas e malignas com acurácia superior a 90%, a realização de biópsia dos tumores, a marcação dessas lesões facilitando a abordagem cirúrgica e o tratamento endoscópico das lesões passíveis de tratamento endoscópico – termocoagulação com plasma de argônio das angioectasias, polipectomias endoscópicas e dilatações endoscópicas.
O procedimento deve ser realizado apenas por médicos especialistas em Endoscopia (RQE-CRM e Membros Titulares da SOBED) com capacitação e treinamento adicional para realização de videoenteroscopia assistida por balão.
Imagens:
Tumor estromal do intestino médio em adulto jovem – 40 anos
Angioectasias em idoso, 86 anos
Sangramento na Síndrome de Osler-Weber-Rendu
Tratamento endoscópico com plasma de argônio
Adenocarcinoma em jovem de 36 anos